O que é DOTS?

Crédito da imagem: http://itdpbrasil.org.br/

O conceito de DOTS está relacionado ao compromisso de implementar/viabilizar  cidades  sustentáveis, com alternativas para melhorar a qualidade de vida e a qualidade em prestação de serviços públicos, através de diretrizes de uso dos meios de transporte na cidade,  de modo a proporcionar desenvolvimento econômico e mobilidade urbana mais funcional e confortável, incluindo custos viáveis para a gestão pública.

O conceito vem originalmente da sigla em inglês TOD (Transit Oriented Development), e traduzido fica  Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável, ou simplesmente DOTS (1).

De acordo com a análise do arquiteto Charles Fernandes, os princípios do DOTS que deveriam ser prioritariamente implementados em Indaiatuba para que caminhássemos para o desenvolvimento sustentável , seriam os seguintes:

ADENSAR

As cidades devem possuir razoável quantidade de habitantes por área, com o intuito de otimizar a rede de serviços públicos, reduzindo custos e potencializando a qualidade no atendimento. Espalhar a cidade desnecessariamente – principalmente em atendimento à interesses exclusivamente econômico-imobiliários – indica maiores distâncias a percorrer e maior quantidade de unidades de serviços e equipamentos públicos, que atenderão um menor público proporcionalmente, aumentando assim, os custos com gestão e manutenção. Uma cidade inchada, grande, com relativamente poucos habitantes por área, gera problemas com mobilidade urbana, em especial do transporte coletivo e fluxo de vias axiais, e indica grande custo em serviços públicos como coleta de lixo, varrição de ruas, segurança pública, entre outros, o que acaba por ser repassado para a população, em elevadas taxas de impostos ou uso desproporcional da arrecadação pública como subsídio destes serviços. Uma boa chance para planejar uma cidade mais densa e eficiente está na revisão quadrienal do Plano Diretor, a ser realizada obrigatoriamente no segundo ano da gestão de cada prefeito, sendo que a próxima oportunidade será em 2018.

PROPORCIONAR E ESTIMULAR MULTIUSO DO ESPAÇO URBANO

As atividades econômicas terciárias de Indaiatuba, de Comércio e Serviços, geram aproximadamente 55,77% de todo o emprego formal da cidade (2), ou seja, cerca de 40.259 dos mais de 72.188  vagas formais (3). Proporcionar áreas de integração entre esses postos de serviços terciários e a moradia, não só dinamiza e desenvolve a economia local, gerando emprego e renda, como diminui a necessidade de uso de transporte motorizado individual, tanto para o consumidor, quanto para o gerador do serviço (ou mesmo produto). As áreas de maior densidade de emprego na cidade atualmente são a Morada do Sol e o Centro, ambos dotados de enorme infraestrutura em serviços públicos, equipamentos urbanos e quantidade de estabelecimentos de atividades de comércio e serviços. Assim MANTER as moradias nestas regiões é uma ação tão importante, tanto quanto proporcionar MULTIUSO nos novos loteamentos a serem implantados.

USAR TRANSPORTE PÚBLICO E GARANTIR SUA QUALIDADE

Proporcionar uma cidade mais densa, compacta, livre de vazios urbanos – atendida por uma rede de serviços públicos, repleta de áreas de multiuso, conectados por rede de transporte coletivo – pode significar a oferta mais rápida e confiante no transporte de massa, diminuindo o tempo de espera e as distâncias dos trajetos utilizados. Quaisquer projetos de gestão pública OU MESMO EMPREENDIMENTOS PRIVADOS, devem ter acessos para transporte coletivo, com indicadores de viabilidade. O transporte coletivo de Indaiatuba, atende a apenas 12% de todas as viagens realizadas diariamente no Município (4) e indicar e implementar projetos de DOTS que incentivem esta modalidade de mobilidade urbana, não só é fundamental, como emergencial. Metas de Mobilidade Urbana Sustentável, indicam a necessidade de se ter, para uma cidade do nosso porte, 26% das viagens diárias feitas através de transporte coletivo, o que implicaria em MAIS QUE DOBRAR o uso de ônibus coletivo em Indaiatuba e esta é a mais ousada meta de DOTS da cidade.

PEDALAR E CAMINHAR

Indaiatuba já foi conhecida como a “cidade das bicicletas“, e também dotada de áreas planas próprias para o pedestre. Com o direcionamento da expansão urbana voltado para o Vale do Córrego Barnabé, onde nasceu o Parque Ecológico, as declividades (subidas e descidas íngremes) encontradas tornaram-se empecilhos ao desenvolvimento dos transportes não-motorizados. O crescimento urbano espalhado dissociado de seu histórico fez com que os modais motorizados particulares e muitas vezes usado de maneira individual passassem a ser a opção predileta da população.  Mas mesmo assim, tão sustentável era, em tempos remotos, o transporte em nossa cidade, que ainda hoje mantemos excelentes índices de uso de meios não motorizados: estima-se que 30% de todas as viagens realizadas no município, sejam feitas a pé ou bicicleta, o que ainda nos mantém com a maior média da RMC. O novo PLANO DIRETOR de MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL , em pré-fase de Audiência Pública e votação, possui notáveis diretrizes para elaboração de Projetos de DOTS voltados à ciclistas e pedestres, utilizando áreas de baixa declividade para integrar uma rede de ciclovias, inclusive melhorando o conforto dos pedestres.

Tão importante quanto elaborar um plano que considera o conceito de DOTS e suas diretrizes, é utilizá-lo sem procrastinação.  Quando consideramos os meios de transporte não motorizados, possuímos histórico e capacidade de ser REFERÊNCIA NACIONAL, basta usar efetivamente as ações de DOTS.

PROMOVER MUDANÇA

Por onde acessar?
Qual meio de transporte utilizar?
Quanto tempo vai durar a viagem?
Qual benefício trará para a cidade?
Possui capacidade de gerar emprego, renda e prosperidade a todos?
É sustentável?
É necessário mudar a maneira de pensar cada ação a ser realizada, horizontalizando os resultados. Os princípios de DOTS são necessários para promover uma nova visão de como planejar uma cidade, menos utópica, mais viável e prática, voltada para ideais mais sustentáveis.

 

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(1) Com objetivo de facilitar a comunicação e melhor entendimento do conceito, o ITDP Brasil passou a utilizar, em outubro de 2015, o termo em português “Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável” e sua sigla DOTS, em substituição à sigla TOD. A sigla TOD (em referência ao termo “Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável”) foi utilizada até outubro de 2015 e por isso ainda pode ser encontrada em materiais técnicos, publicações e relatórios anteriores a essa data.

(2) Plano Municipal de Saneamento Básico (2014).

(3) IBGE – 2015.

(4) Diagnóstico PDMUS.

(5) Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável.

Revisado por Eliana Belo Silva – Agosto de 2017.

Bibliografia Indicada:
DOTS Cidades – Manual de Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável
Nívea Oppermann – Novembro 2014. Disponível em http://d.pr/ETUG, consultado em 15/08/2017.

ANTP (2015). Sistema de informações da mobilidade urbana. Associação Nacional de Transportes Públicos –
Relatório Geral 2013. Junho de 2015. Disponível em: http://www.antp.org.br/_5dotSystem/userFiles/SIMOB/Rel2013V3.pdf

Fonte da imagem: http://itdpbrasil.org.br/

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