ENFIM CUMPRIU-SE O CONTRATO: TEMOS UMA FROTA DE MENOS DE 5 ANOS DE IDADE MÉDIA ATENDENDO NOSSO TRANSPORTE COLETIVO

A Empresa Rápido Sumaré, do grupo VB de Transportes, que comprou a Viação Indaiatubana e anunciou que irá operar o nome fantasia de CITI, entregou em agosto de 2017, 20 ônibus novos, adquirindo assim a conformidade com o contrato de concessão, no que se refere a idade da frota.

O status de conformidade é baseado em uma referência legal-regulatória, que é o Contrato Comercial entre a Prestadora de Serviço e a Prefeitura (Contratante), documento que pode ser conferido aqui.

Durante os últimos anos, a empresa que antecedeu a CITI, não modernizou a frota como deveria, e por esse e outros motivos, recebeu multas notificadas pela Contratante. Entre os itens que a provedora do serviço deveria cumprir e que ficaram mais expostos por exaustivas denúncias e reclamações em várias mídias de várias maneiras são:

  • Frota com menos de 5 anos.
  • Idade individual de cada veículo de no máximo 8 anos.
  • Acessibilidade plena em todos os veículos através de plataforma para cadeiras de rodas.

Saiba mais acessando o Contrato de concessão de transporte coletivo em Indaiatuba: http://www.indaiatuba.sp.gov.br/administracao/contratos/CONT_2006-2.pdf

No início de 2017, a CITI recebeu da Indaiatubana, uma frota com:

  • 17 ônibus fabricados em 2008;
  • 10 ônibus Fabricados em 2009;
  • 14 ônibus Fabricados em 2011 e
  • 28 ônibus fabricados em 2012;

Totalizando 69 veículos que possuíam idade média, na época, de cerca de 7 anos, sendo que 17 unidades possuíam mais de 8 anos de idade.

(Fonte: Relatório da CPI de Transporte coletivo, anexo de cadastro da frota de Novembro de 2016).

FROTA

Com a renovação proporcionada pela empresa, que retirou de circulação os veículos com idade individual acima de oito anos, introduzindo vinte novas unidades produzidas em 2017, a frota adquire uma idade média de menos de 4,20 anos – muito abaixo do solicitado em contrato – o que facilita a manutenção com baixo investimento até o ano de 2020, quando estima-se ser necessário a troca de outras 31 unidades.

A CITI afirma possuir, atualmente, uma frota composta de 64 ônibus, sendo:

  • 6 ônibus fabricados em 2010;
  • 4 ônibus fabricados em 2011;
  • 31 ônibus fabricados em 2012;
  • 2 ônibus fabricados em 2015;
  • 20 ônibus fabricados em 2017 e
  • 1 Van fabricados em 2017.

Segundo a empresa, todas as unidades também possuem plena acessibilidade, possuindo plataformas para cadeiras de rodas.

REALIDADE  X  INDICADORES

Entre os especialistas, é uma unanimidade afirmar que  o transporte público é uma das principais soluções para: (1) reduzir o uso de veículos particulares e (2) reduzir a poluição atmosférica. 

O que se viu nos últimos anos em Indaiatuba, e principalmente após o anúncio de venda do serviço de concessão feito às vésperas das Eleições de 2016 (registre-se que problemas com transporte público era um dos itens de maior reclamação apontado em pesquisas com eleitores)  é que a gestão do contrato com foco nesses dois itens de consenso ficou para trás.

Os problemas se acumularam a tal ponto que a Contratante anunciou intenção de rescisão contratual com a Contratada em coletiva de imprensa, sem antes fazer a notificação, expondo o conflito como ferida sangrando. As mídias continuaram a emitir opiniões, de um lado quem defendesse esse ato como heroico e corajoso, de outro, quem apontasse essa decisão como imatura e precipitada, beirando ao impulso irresponsável, uma vez que foi feito DEPOIS que a empresa divulgou a nova frota, inclusive autorizando o ‘vazamento’ de fotos.

Atualmente, o transporte coletivo na cidade representa 12% de todas as viagens no município, (Fonte: PDMUS) e isso é MUITO abaixo da média da RMC e muito mais abaixo de medias nacionais de divisão modal.  Estudos revelam que a meta desejada para uma cidade de nosso porte, seria de 26% de todas as viagens no município, feitas por transporte coletivo,  para nossa população estimada para os próximos anos.

 

Divisão Modal de Mobilidade Urbana desejada:

transporte coletivo

Para tanto, teríamos mais que dobrar o uso de transporte coletivo no município.

Atualmente a empresa trabalha com uma média pouco sustentável, de 36  passageiros em média, que utilizam cada uma das 830 viagens em 25 linhas,  que percorrem cerca de 12.000 quilômetros por dia.  Mas um aumento desejado – considerado ótimo – seria atingir 73.500 passageiros-dia, proporcionando uma média de 80 passageiros por viagem para a frota atual.

Assim, para atingirmos padrões nacionais de sustentabilidade (que perto de outros países são padrões bastante modestos) a Contratada teria que passar da quantidade de 29.660 para 73.500 viagens por dia, atingindo a meta de 21% de viagens de transporte coletivo no município, somando com o transporte fretado que representa cerca de 5%, um conjunto de 26% de todo transporte coletivo urbano.

GESTÃO E FUTURO: A TÉCNICA SUBSTITUINDO A POLÍTICA

Para que o transporte coletivo na cidade melhore efetivamente e atinja padrões ótimos de sustentabilidade, a empresa Contratada já tomou um grande passo e agora é a vez da gestão pública, que deveria fazer gestão técnica do assunto: planejando, agindo, verificando e tomando ações continuadas de melhorias  (DOTS – http://mapearindaiatuba.com.br/2017/08/o-que-e-dots/ ), priorizando o uso de modais coletivos e não-motorizados de mobilidade urbana, para tudo que faz, desde uma modesta festa municipal, a instalação de um novo equipamento público ou uma nova feira, até o controle sustentável do desenvolvimento urbano.

Mas para a maioria, sendo ou não usuários, grande parte interessada na melhoria do trânsito e na contenção da poluição, cabe continuar observando o futuro do transporte coletivo na cidade, um dos maiores desafios a serem enfrentados por este componente de nossa mobilidade urbana.

Continuar tratando uma questão tão séria de forma eleitoreira ou com base em marketing político é uma irresponsabilidade homicida, inclusive porque o mundo grita desesperadamente que é insustentável continuar privilegiando o transporte individual motorizado.

Gestão pública, o próximo passo é seu! 

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